Meu namorado deu meu cachorro sem minha autorização e eu tentei perdoar

Eu e meu namorado tínhamos acabado de comprar uma casa. Colocamos nossas economias na entrada e começamos aquela fase de escolher móveis, fazer contas e imaginar a vida ali. Meu cachorro também fazia parte dessa mudança. Ele estava comigo havia seis anos, desde antes de eu conhecer meu namorado.

Meu namorado sempre reclamou dos pelos, do cachorro subir no sofá e de a gente precisar se organizar quando queria viajar. Eu cuidava da comida, dos passeios, da limpeza, mas isso não encerrava o assunto. Às vezes ele perguntava se eu nunca tinha pensado em deixar o cachorro com outra pessoa. Eu respondia que não e achava que estava sendo clara.

Um dia, cheguei do trabalho e meu cachorro não apareceu na porta. Chamei pela casa, fui ao quintal, procurei nos quartos. Meu namorado disse que tinha deixado o portão aberto enquanto tirava o carro e que ele devia ter escapado.

Saí na hora. Andei pelas ruas chamando, mostrei fotos aos vizinhos, perguntei em comércios. Publiquei nos grupos do bairro e fiquei olhando o celular à espera de alguma notícia. Meu namorado foi comigo. Imprimiu cartazes, ajudou a colar e passou três noites procurando ao meu lado.

Eu me culpava por estar no trabalho quando aconteceu. Pensava nele perdido, sem água, tentando atravessar uma rua. Quando eu chorava, meu namorado me abraçava e dizia que a gente ia encontrar. Cheguei a me sentir injusta por estar com raiva dele por causa do portão.

No quarto dia, uma mulher ligou para o número do cartaz. Disse que achava que aquele cachorro estava na casa do pai dela. Mandei outras fotos, ela confirmou e eu já fui perguntando o endereço, onde ele tinha sido encontrado, se estava bem.

Foi quando ela explicou que o pai não tinha encontrado cachorro nenhum. Um rapaz tinha entregado o animal, dizendo que ele e a namorada iam morar fora e precisavam de alguém para cuidar dele.

Pedi que descrevesse o rapaz. Era meu namorado.

Mostrei a conversa para ele. Ele admitiu. Disse que tinha escolhido um senhor com quintal, que parecia gostar de animais e que meu cachorro seria bem tratado. Perguntei como tinha conseguido sair comigo, me abraçar e me ouvir chamando na rua sabendo exatamente onde ele estava.

Ele respondeu que achou que, depois de alguns dias, eu ia me acostumar. Disse também que estava desesperado porque toda conversa sobre o cachorro acabava em briga.

Fui buscar meu cachorro naquele mesmo dia. O senhor pediu desculpa várias vezes. Também tinha acreditado na história da mudança e não fazia ideia do que estava acontecendo.

Peguei algumas roupas e passei uma semana na casa da minha irmã. Meu namorado ligava, chorava e dizia que tinha feito uma coisa horrível. Prometeu que nunca mais decidiria nada por mim e pediu uma chance para mostrar que tinha entendido.

Acabei voltando.

Eu ainda amava ele. Também pensava na casa, no dinheiro que tínhamos colocado ali e em tudo que teríamos que resolver se terminássemos. Sei que uma casa pode ser vendida, mas, naquela semana, eu não conseguia olhar para tudo aquilo e decidir acabar de vez. Quis acreditar que ainda dava para continuar.

Minha irmã disse que me recebe quando eu precisar, mas que ele não entra mais na casa dela. Segundo ela, conseguir me ver sofrendo daquele jeito e continuar fingindo por dias foi uma crueldade que eu estou tentando diminuir para conseguir ficar.

Meu cachorro está comigo. Meu namorado parou de reclamar dele, mas eu ainda penso naqueles cartazes. Foi ele quem escolheu a foto.

Agora, quando estou no trabalho e ele manda mensagem dizendo que está tudo bem em casa, peço uma foto do cachorro. Ele manda, eu fico aliviada e depois me pergunto até quando vou precisar fazer isso.

Sou idiota por tentar perdoar? Dá para reconstruir a confiança depois de alguém fazer uma coisa dessas e sustentar a mentira vendo você sofrer?

Deixe um comentário