Desabafo de uma stripper

Vim de uma família pobre e complicada mas depois dos 20 anos consegui sair do Brasil e arrumei um emprego que trabalhava 12 horas mas ganhava bem. Sempre fui uma garota romântica, carinhosa que queria casar e ter filhos mas aos 27 anos e 2 relacionamentos fracassados, resolvi testar um emprego que ganharia muito bem e trabalharia pouco: o de stripper. Não preciso me prostituir, nem tirar a roupa na verdade, é mais como se fosse uma casa noturna em que homens vão para beber e conversar. Porém, acabo bebendo muito álcool todos os dias, odiando. Também conheci o lado sujo dos homens. Mesmo não precisando fazer sexo ou mostrar meu corpo, acabei conhecendo o pior do ser humano. Sei que não mereço muita coisa por ter escolhido esse emprego, mas sinto que não há e nunca houve esperanças para o amor. Acho que vou passar o resto dos meus dias sozinha, e provavelmente de cirrose, e não vou ter aquele sonho bobo de casar e ter filhos realizado. Mesmo que eu mude de profissão, o meu olhar mudou, não sinto prazer em estar com um homem bonito, ou de estar em um homem rico em um restaurante caríssimo. Fiz bastante viagens para buscar felicidade, me cuido, ajudo minha família com dinheiro, visito eles regularmente, mas por dentro sinto um vazio enorme. Hoje a noite estarei com um vestido elegante, com colar de diamante, bebendo champanhe e ouvindo a história tediante de algum cara rico, mas meu sorriso será vazio, sem emoção, como se eu não fosse mais dona de minha vida e estarei ali apenas enfeitando.

Um comentário em “Desabafo de uma stripper

  • Messenjah 10 de janeiro de 2019

    O vazio em nós não é completo pelo amor humano e sim o de Jesus. Busque isso!

    Resposta

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